Em SP, 1° de Maio é marcado por lutas em defesa de Lula e das vítimas do incêndio

Ato reuniu artistas, representantes de diversas categorias, movimentos sociais e partidos políticos; lideranças questionaram criminalização das lutas populares e apontaram para lutas no próximo período

 

O Dia do Trabalhador foi simbólico em diversas maneiras neste Primeiro de Maio de 2018 em São Paulo, quando o centro da cidade parou na Avenida Ipiranga com um ato que exigia a liberdade do ex-presidente Lula, preso político por ser o favorito das pesquisas de intenção de voto e ter implementado políticas públicas que beneficiam a massa dos trabalhadores, como o aumento real do salário mínimo anualmente.

Esta terça-feira também marcou a história da cidade pelo incêndio e desabamento do edifício Wilton Paes Almeida, prédio ocupado por movimentos de moradia a poucas quadras dali, que recebia cada vez mais pessoas em tempos de altos índices de desemprego como no atual governo golpista de Temer.

Organizado pela CUT, CTB, Intersindical e movimentos organizados nas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, o evento na capital paulista reuniu 10 mil pessoas e contou com a participação de artistas, deputados, vereadores e lideranças do PT; sindicalistas; representantes de movimentos sociais e de outros partidos políticos como Psol e PCdoB.

Antes do ato político os presentes fizeram  um minuto de silêncio. Logo depois, o presidente da CUT São Paulo, Douglas Izzo, cobrou a apuração do incêndio e apontou para as responsabilidades do poder público pelo desabamento do Edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paissandu, no centro de São Paulo.
 
“Num momento tão difícil, num Brasil onde o déficit de moradia é de seis milhões, sendo um milhão apenas em São Paulo, é um absurdo ver representantes do poder público culparem as vítimas e criminalizarem o movimentos que lutam por moradia digna”, afirmou o dirigente, ao fazer referência ao atual prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) e ao governador Márcio França (PSB).
 
A representante da Frente Povo Sem Medo e do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Natalia Szermeta, também lembrou das 150 famílias que foram afetadas pelo incêndio. “Gostaria de falar para o prefeito e para o governador de São Paulo que a responsabilidade por essa tragédia é deles. As famílias não ocupam porque gostam, elas ocupam porque precisam. Quem ocupa não tem culpa. Convidamos a todos que se indignaram com isso, que se juntem aos movimentos por moradia, porque o governo (de Michel) Temer está tirando dinheiro da moradia popular”, ressaltou.
 
Coordenador nacional e estadual da União Nacional por Moradia Popular (UNMP), Sidney Pita, disse que o movimento promete ampliar as mobilizações. “O prédio desabou pela falta de responsabilidade do governo federal. Exigimos que o caso seja investigado e o número real de vítimas seja apresentado. Nos manteremos mobilizados até que as investigações sejam feitas”, cobrou.
 
Luiz Marinho, ex-prefeito de São Bernardo do Campo e pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT,  também fez críticas a João Doria (PSDB), que abandonou recentemente a Prefeitura de São Paulo para disputar outro cargo. Nesta terça, Doria disse que uma “facção criminosa” ocupava o prédio incendiado. “Ele se diz ‘João Trabalhador’, mas de trabalhador não tem nada, nem a palavra. Ele não tem caráter pra dizer algo assim diante do que foi sua gestão.”
 
Pelo Psol, Joselicio Junior, o Juninho, lembrou que a moradia no Brasil ainda é para os privilegiados e que a luta por habitação tende a ser fortalecida. “Vamos continuar brigando por moradia e dignidade e não vamos aceitar que os governantes coloquem a culpa nos moradores. Quero também lembrar a morte da guerreira Marielle Franco, que foi morta por conta da ousadia de enfrentar o sistema e denunciá-lo”.
 
Lula Livre
 
Luiz Marinho levou aos participantes uma mensagem do ex-presidente Lula. “O presidente Lula continua muito indignado. Mas segue sereno e pede para que nós mantenhamos as esperanças e a luta, pois a vitória irá ocorrer”, destacou o petista.
 
Na ocasião, Marinho reforçou à militância que os direitos políticos de Lula não foram cassados, portanto, ele segue como pré-candidato à Presidência da República. “É importante seguirmos na luta para garantir Lula nas urnas, pois ele representa a esperança das crianças, da juventude, dos negros, dos LGBTs, dos homens e mulheres que estão desempregados graças a esse governo golpista”, frisou o presidente estadual do PT.
 
Douglas Izzo lembrou as mobilizações realizadas pela CUT nos últimos anos contra a terceirização e as reformas trabalhista e da Previdência e ressaltou que, defender Lula neste momento, “significa organizar os trabalhadores, fazer o debates nos hospitais, nas escolas, nas fábricas, na cidade e no campo, organizar comitês de trabalhadores. Significa defender um projeto democrático de país”, disse.
 
O golpe contra a presidenta eleita Dilma Rousseff também não foi esquecido. O secretário-geral da CTB, Wagner Gomes, lembrou que a derrubada de Dilma aconteceu sem que ela tivesse cometido nenhum crime durante o seu governo e que, hoje, o Brasil é um país de joelhos para as grandes potências.
 
“Do golpe pra cá, sofremos muito por conta da reforma trabalhista e da PEC do congelamento de investimento público em saúde e educação. Cabe a nós, trabalhadores, eleger parlamentares e presidente comprometidos com os anseios populares”, apontou Gomes.
 
Pré-candidata à Presidência da República, a deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB) discursou no início da atividade e, logo depois, seguiu para a cidade de Curitiba (PR), onde participou do ato nacional. Ela criticou as reformas do governo Temer e pediu unidade da classe trabalhadora como forma de barrar a escalada conservadora do país.
 
“Estamos vivendo num Brasil sob o golpe, o que tem aprofundado as desigualdades, que destruiu a CLT e mantém Lula preso. Precisamos construir uma alternativa para que o Brasil possa se desenvolver garantindo direitos ao povo”, defendeu Manuela.
 
Nalu Faria, da Marcha Mundial das Mulheres disse que os efeitos das políticas do atual governo de Temer “nefasta”, é mais dura contra as mulheres. “Por isso nós estamos nos mobilizando sempre para manter a vigília por Lula. Essa luta só vai parar quando a gente vencer”, enfatizou Nalu.
 
Além do ato em São Paulo, ocorreram atividades por todo o Brasil, com um grande ato unificado em Curitiba, que reuniu as sete maiores centrais sindicais do país. (clique aqui e saiba mais)
 

(com informações do portal da CUT-SP e da Agência PT de Notícias)

Foto interna: Roberto Parizotti/CUT

Foto capa: Dino Santos/CUT-SP

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *