“Nós do PT vamos resistir e vamos lutar”, afirma Lula em seminário internacional

Ex-presidente participou do evento da Aliança Progressista, em SP, na segunda (25), ao lado do presidente nacional do PT, Rui Falcão, que pediu apoio para conter o golpe

Em uma mensagem para lideranças progressistas de todo o mundo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu que o Partido dos Trabalhadores não vai parar de defender a democracia. “Nós do PT vamos resistir e vamos lutar. Com a democracia não se brinca”, afirmou ele, ao criticar a postura de parlamentares e oposicionistas que promoveram uma agenda do caos para desestabilizar o governo eleito.

O ex-presidente participou, ao lado do presidente nacional do PT, Rui Falcão, em São Paulo, do seminário “Democracia e Justiça Social” da Aliança Progressista, uma rede de partidos e organizações de todo o mundo.

Lula disse estar frustrado com pessoas que foram exiladas durante a ditadura e lutaram para restabelecer a democracia, mas estão tendo agora a mesma postura que seus algozes tiveram em 1964. “Naquele tempo ainda tinha o poder de força dos militares. Hoje, é um gesto livre e espontâneo da direita”, disse. Ele afirmou que o argumento da direita para derrubar governos democráticos é sempre o mesmo: “combater a corrupção“.

O ex-presidente ainda lembrou que a presidenta Dilma Rousseff não cometeu nenhum crime de responsabilidade e que erros de governo e crise econômica não são motivo para derrubar governos democraticamente eleitos. “Temer é constitucionalista. Ele sabe que a Dilma não cometeu nenhum crime”, afirmou. “Caçar a Dilma é uma possibilidade de caçar o PT e impedir que o PT volte ao poder depois”.

Lula agradeceu à imprensa internacional pela cobertura que está fazendo da crise política,  apontando as injustiças cometidas no processo contra Dilma. Para ele, a elite brasileira não suporta tanto tempo de democracia. “Vai ter muita luta, muito combate democrático”.

“Não é possível aceitar que seis jornais digam o que é bom para o Brasil. O povo tem que dizer o que é bom para o Brasil. O povo que pôs um ex-metalúrgico no poder, um índio no poder na Bolívia, uma mulher no Chile, na Argentina e no Brasil”, disse Lula.

O ex-presidente ainda avaliou que o mundo está carente de lideranças políticas e que a saída para a crise econômica é eminentemente política e não técnica. Segundo o ex-presidente, na época em que participava dos fóruns mundiais como o G-8 e G-20, ele percebeu que os governos eleitos se subordinavam aos burocratas. “A impressão que eu tive é que a governança foi terceirizada”, disse ele.

Ainda segundo Lula, o mundo desenvolvido não soube fazer medidas para efetivamente combater a crise mundial. “Estamos vivendo uma crise de desemprego sem precedentes e vendo o mundo rico fracassado”, disse. “Achei que europeus e americanos saberiam lidar com a crise porque sabiam resolver a crise do Brasil na década de 1980. Mas quando a briga é na sua casa você vê que é muito mais difícil”, comentou.

Em 2008, o ex-presidente defendia que os governos não tomassem medidas protecionistas que travassem o comércio mundial. Mas foi exatamente o que ocorreu, agravando a crise econômica. Lula também afirmou que a América Latina está retrocedendo não só do ponto de vista econômico como também da democracia, com ameaças no Brasil e em outro países vizinhos.

Consciência Democrática – Luiz Dulci, diretor do Instituto Lula e ex-ministro da Secretaria Geral da Presidência da República (2003-2010), leu parte do discurso do ex-presidente Lula, que pôde falar menos tempo por causa de problemas de voz.

Por meio de Dulce, o ex-presidente afirmou que o que está em jogo no Brasil hoje é interromper um processo histórico que levou à democracia e à melhoria de vida das pessoas de quase todos os países da região.

“O que aconteceu foi uma revolução pacífica comandada pelo voto popular”, afirmou. “Tiramos o Brasil do Mapa da Fome. Criamos 20 milhões de vagas de emprego. Abrimos as portas das universidades para quem não tinha acesso. Reduzimos as diferenças entre os que tudo tinham e os que nada tinham”, pontuou. Nesse período, de acordo com Lula, Brasil e América Latina tornaram-se atores globais.

Mas esse processo, lembrou o ex-presidente, está ameaçado pela tentativa de golpe. “Enquanto o governo trabalhava para reequilibrar as contas públicas, por 18 meses a oposição trabalhou numa sabotagem do Legislativo, com a cumplicidade de meios de comunicação”.

No discurso, Lula lembrou que em contraposição a esse movimento, a consciência democrática se manifesta cada vez mais. Ele afirmou que a população já não aceita mais a cobertura parcial dos grandes meios. “O Brasil é maior que a mentira e a manipulação”, afirmou. O ex-presidente também reforçou que o PT ajudou a fortalecer as instituições de controle como o Ministério Público e a Polícia Federal e que os golpistas querem voltar ao reino da impunidade.

Ele ainda ressaltou que  a opinião pública mundial já percebeu as injustiças desse processo e as ameaças à democracia. “A sociedade brasileira saberá reagir ao esbulho da Constituição”. Lula lembrou de todo o processo social desde as Diretas Já até a Constituinte em 1988, e que hoje os golpistas estão rasgando a Constituição cidadã feita depois de tanta luta. “O que ocorre é uma farsa. O direito de defesa da presidenta foi reduzido à mera formalidade”, afirmou.

Ainda segundo o ex-presidente, os governos progressistas no mundo estão acossados por novas formas de golpe. “Vamos instaurar a velha ordem? Ativar a bomba-relógio da fome?”, questionou. “Peço a todos que levem a mensagem para seus países que a sociedade brasileira vai resistir ao golpe e não vai reconhecer um governo que não veio pelo golpe popular”, frisou.

Apoio internacional para conter golpe – Antes da fala de Lula, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, também denunciou o golpe em curso no Brasil, durante o seminário da Aliança Progressista, na capital paulista.

Rui pediu apoio aos colegas internacionais e afirmou que não haverá trégua e nem respeito a um governo usurpador, caso o golpe avance no Senado. Para ele, o chamado impeachment é gestado em uma aliança do grande capital, da direita e da grande mídia para chegar ao poder depois de serem derrotados por quatro eleições consecutivas.

“Esses mesmos grupos antes recorriam aos quartéis”, afirmou. “Estão gestando um Estado de exceção no interior do Estado Democrático de Direito”, disse o dirigente petista.

Rui lembrou que a oposição acusa o PT de causar dano à imagem do país no exterior mas, segundo ele, o que causa dano é o “circo de horrores” protagonizado no dia 17 de abril por aqueles que defendem o impeachment na Câmara. “O PT jogará todas as suas energias para deter a aventura golpista”, destacou.

Para o presidente nacional do PT, a direita nunca aceitou a revolução social promovida pelos governos petistas desde 2003, com a ascensão social de 40 milhões de brasileiros, as cotas nas universidades entre muitos outros avanços promovidos pelo governo.

 

(com informações de Clara Roman/Agência PT de Notícias)

Fotos: Paulo Pinto/Agência PT

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