Universidades federais estão à míngua com cortes de verba no governo Temer

Com a redução nos recursos enviados pela União, as instituições têm de apelar para medidas como renegociação de contratos e até a redução nos cardápios em restaurantes universitários

A redução drástica no orçamento para educação e pesquisa está levando as universidades federais a operarem no limite. As instituições têm enfrentado graves problemas como salários e bolsas em atraso, corte nas políticas de atendimento aos estudantes, redução de direitos e falta de repasses para necessidades básicas, que as colocam à beira da falência.

Falta verba para manutenção e para o pagamento de contas. Os efeitos da crise são tão graves que, de acordo com o presidente da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), Emmanuel Tourinho, os valores de custeio previstos para este ano para as universidades não são suficientes nem mesmo para as despesas regulares com energia, vigilância, limpeza, bolsas para os alunos de baixa renda e serviços de manutenção das instalações.

Tourinho afirma que não há recursos nem para concluir as obras já iniciadas. Nas universidades mais antigas, há problemas de infraestrutura por causa da falta de manutenção. Já as instituições novas estão funcionando em prédios alugados. Isso porque não têm verba para finalizar os serviços nas instalações próprias.

“Não será possível manter as instituições funcionando adequadamente se esse quadro não for rapidamente alterado”, diz o presidente da Andifes.

Nesta terça-feira (21), a crise econômica nas instituições de ensino superior do país foi tema de discussão no Plenário da Câmara dos Deputados, que se transformou em Comissão Geral.

UnB

A UnB (Universidade de Brasília) estima que, neste ano, o déficit orçamentário será de R$ 105,6 milhões. Segundo Denise Imbroisi, decana de Planejamento e Orçamento da instituição, os recursos da universidade só cobriram os gastos até setembro, dois meses atrás.  A Universidade conta com uma suplementação de crédito do governo para se manter até o fim do ano.

A universidade vem renegociando contratos desde o ano passado com prestadores de serviços para tentar viabilizar a redução nas despesas. No restaurante universitário, uma revisão contratual possibilitou a queda de 15% no valor gasto. A diminuição foi possível por causa do corte de alguns itens do café da manhã, como suco, iogurte e chá. No almoço, foi feita uma adequação da proteína oferecida. Para isso, foram incluídas carnes como costela, rabo de boi, linguiça e hambúrguer nos cardápios.

A direção da universidade solicitou ao MEC que elevasse o teto de receita própria que pode ser arrecadada por meio de aluguéis ou projetos de professores. A UnB também pediu ao ministério que autorize a utilização do superávit de anos anteriores – os valores foram para o Tesouro

UFRGS

A UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) projeta que, até o fim do ano, o déficit será de R$ 40 milhões. O reitor da instituição, Rui Vicente Oppermann, afirmou que a prioridade da administração é conseguir arcar com o pagamento dos terceirizados. “Hoje temos uma tomada de decisão que é quase aquela de Sofia – onde é que vou fazer cortes? Nos últimos anos temos feito racionalização de serviços para diminuir a despesa com terceirizados, mas já chegamos a um limite”, disse.

Sem recursos, a universidade está deixando de lado neste momento despesas compulsórias, como contas de luz, água e referentes à comunicação. “Contamos com a compreensão dos prestadores desses serviços públicos para que possamos fazer a rolagem dessa dívida sem maiores consequências”. Na lista de corte, o item seguinte são os serviços relacionados aos serviços de reformas e manutenção, que são fundamentais já que se trata de um campus extenso e com prédios antigos. Oppermann diz esperar que não exista necessidade de redução em serviços como segurança, limpeza e fornecimento de alimentos. “Estamos confiando em um mínimo de sensibilidade do governo na liberação de recursos para que a gente possa chegar com pelo menos 90% do custeio liberado até o fim do ano”, admite

UFRJ

A situação orçamentária é considerada crítica pela direção da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Para este ano, o orçamento é 6,7% menor do que no ano passado. O reitor da UFRJ, Roberto Leher, destacou que, no ano passado, muitas contas foram pagas somente até o mês de setembro, o que deslocou para o orçamento de 2017 o pagamento das despesas não pagas.

Nos últimos três anos, o quadro de pessoal terceirizado foi reduzido pela metade, e contratos com permissionários foram revisados. A universidade lançou uma campanha com a meta de reduzir em 25% as despesas com energia elétrica.

UFMG

Jaime Ramírez, reitor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), também afirmou que os recursos da universidade só cobririam as despesas cotidianas, como insumos e mão de obra terceirizada, até o mês setembro. Ele disse que, se o governo federal mantiver a liberação de recursos no patamar de 85% do previsto, a UFMG e “todas as outras federais” vão enfrentar uma situação financeira grave até o fim do ano.

(#RedeJoséMentor, com informações do iG São Paulo e do PT na Câmara)

Foto: El País

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *